LANCE ARMSTRONG – SÓ ELE?

A polêmica do caso Lance Armstrong tomou conta dos noticiários a partir da divulgação das sanções impostas ao ciclista pelos vários órgãos relacionados ao ciclismo e às agências anti-doping. Como se sabe, o atleta foi banido do esporte, perdeu os títulos conquistados em toda sua carreira, perdeu seus patrocinadores e agora está até sendo cogitado que ele tenha que devolver até o dinheiro dos prêmios que ganhou pelas vitórias.

Lance Armstrong era até então considerado o maior ciclista de todos os tempos, tendo vencido 7 vezes seguidas a competição de ciclismo mais importante do mundo: a Volta da França, que exige o que podemos chamar de um esforço “sobre-humano” para completá-la. Além dessas e de outras inúmeras vitórias, incluindo medalha em Olimpíada, o ciclista venceu um câncer de testículo quando estava no auge da carreira, tendo inclusive que extirpar o órgão cirurgicamente. Vale lembrar que a partir da sua doença e da sua luta para vencê-la ele criou uma entidade de apoio à luta contra o câncer que arrecadou milhões por todo o mundo. Quem não se lembra das pulseirinhas amarelas da “Livestrong” que virou febre no mundo todo?

O esporte que ele pratica, o ciclismo de estrada, é considerado já há muito tempo a atividade esportiva de maior prevalência do uso de doping que se tem notícia. Como as provas exigem um dispêndio de energia anormal, com duração de horas de pedalagem subindo montanhas, os atletas buscam tudo que for possível para melhorar o desempenho. Nesta busca sabe-se ser prevalente o uso de recursos capazes de aumentar a capacidade do sangue de transportar oxigênio para os músculos. Para este fim os atletas começaram a fazer uso de auto-transfusões de sangue e de injeções de um hormônio que estimula a produção de glóbulos vermelhos, a eritropoetina ou EPO, recursos estes que foram imediatamente proibidos pelo controle anti-dopagem.

Durante toda sua carreira Lance Armstrong foi submetido a mais de 500 testes de controle de dopagem sem nunca ter sido flagrado ou punido, apesar das inúmeras suspeitas sempre levantadas. Recentemente, após já ter oficialmente deixado de competir no ciclismo (ele agora é atleta de triatlo) um processo contundente foi aberto contra ele pelas entidades de controle a partir, principalmente, de denúncias de ex-companheiros de equipe. Segundo tais denúncias ele não só teria feito uso de doping como articulado um esquema de distribuição de substâncias proibidas para seus companheiros. Na sua defesa existe a alegação de que só existem provas testemunhais sem que conste nenhuma comprovação de exame positivo constatado.

A partir daí o atleta foi punido e literalmente massacrado, enquanto os demais ciclistas envolvidos na denúncia foram beneficiados com uma espécie de “delação premiada” sofrendo punições leves, ou seja, seis meses de suspensão.

Trata-se, como podemos perceber, de um assunto sério, de grande polêmica e controvérsias envolvendo com certeza muito mais gente.

A nosso ver existem muitas dúvidas a serem esclarecidas, independentemente de julgar o atleta como culpado ou inocente:

– Se o uso de doping era tão frequente como o processo apurou, certamente ele teria sido “pego” em algum momento. Como é que nenhum dos exames realizados deu resultado positivo? Será que houve incompetência ou desonestidade dos responsáveis pelos exames?

– Se ele fez uso de substâncias proibidas e realmente existia o esquema denunciado, podemos considerar que provavelmente todos os competidores também faziam uso e a competição era uma competição de “dopados” em condição de igualdade e, mesmo assim, ele foi o melhor de todos, não existindo, portanto razão para anular seu resultado. Não seria então o caso de anular as competições realizadas, punindo todos os competidores?

Parece que o caso é muito mais complexo do que parece e provavelmente virão ao conhecimento público outras informações que devem no mínimo comprometer muito mais gente e certamente gente muito importante.

O que parece no momento é que ele foi escolhido como exemplo para tentar “limpar” a modalidade, pelo fato de ser o melhor de todos. Será que existiu justiça realmente?

É o caso de perguntar: Só ele? E os outros?

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